terça-feira, 11 de março de 2008

O lado feio do Portishead

O novo álbum do Portishead tem um começo BEM estranho. Uma voz, em português, prega:

"Esteja alerta para as regras dos três
O que você dá retornará pra você
Essa lição você tem que aprender
Você só ganha o que você merece"

Meu primeiro pensamento: "Isso é mais um fake". Durante os onze anos de silêncio do Portishead, mais de uma vez ouvia-se dizer que tinha finalmente saído um disco novo e, invariavelmente, era uma farsa. Mas dessa vez, não é. Quando a voz de Beth Gibbons entra na primeira faixa - apropriadamente intitulada "Silence"-, não adianta, é inconfundível e você tem certeza que está enfim escutando uma novidade da banda. E quando eu digo "novidade", eu realmente quero dizer
novidade.

O disco não é nada do trip hop agradável, trilha sonora de janta com amigos, que você espera. As músicas são bizarras! É a maior felicidade aqui embaixo, tá todo mundo escutando. Mas na Terra, acho que narizes vão torcer. Oquei, o Portishead sempre foi meio soturno e deprê, mas não é disso que estou falando. As novas faixas são realmente esquisitas, com boas doses de experimentalismo, difíceis de absorver nas primeiras ouvidas. Algumas, como "The Rip" e "Deep Water" surgem no meio para servir de travesseiro, dar um certo conforto em meio às bizarrices de músicas como "Plastic" - com vocais chorosos, acordes sujos de guitarra e um efeitinho que parece que tem alguém batendo incessantemente na porta - e "We Carry On", uma world music do inferno feita tanto para pistas de dança como salas de tortura, com um sonzinho agudo que costura a melodia e frita o cérebro dos vizinhos mais conservadores.

Os caras realmente surpreenderam e eu acho que o resultado é um disco interessantíssimo, que os seus ouvidos vão estranhar bastante nas primeiras vezes, mas o seu cérebro vai insistir em pedir por mais e você não terá saída a não ser ceder à tentação. Bem como eu gosto!...

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