terça-feira, 11 de março de 2008

Trent Reznor, o caçador de fantasmas

Quando eu fiquei sabendo, no ano passado, que o contrato de Trent Reznor com a sua gravadora estava terminando, fiquei pra lá de feliz! O que uma criatura como ele poderia fazer sem corrente alguma? Tudo! Até mesmo um álbum instrumental quádruplo com 36 faixas!

Com uma hora e 50 minutos de duração, "Ghosts I-IV" é o primeiro lançamento de Reznor em sua independência. Nada comercial, o disco é dividido em quatro partes e as músicas não têm nomes diferenciados, ou seja, todas as faixas do "Ghost I" se chamam "Ghost I" e por aí vai. O primeiro "Ghost" pode ser baixado de graça na internet diretamente do site do Nine Inch Nails. Claro que o cara também tem conta de luz para pagar, então existem outras formas de se obter o álbum completo, mais caras e mais cheias de apetrechos, como a versão ultra-deluxe (já esgotada!), que vinha com vinis, CDs e um livro de fotos caprichadíssimas para acompanhar a audição, tudo por apenas... U$ 300! É, como eu disse, Trent também tem contas, meus amigos, e a mansão do moço tem certamente mais lustres que o seu apartamento alugado. :P Mas enfim, tem também a versão deluxe por U$ 75 (4 CDs + livro), a 2xCDset (2CDs com todas as músicas + livreto de CD) e o download de todas as 36 faixas por apenas U$ 5. Ou você pode baixar inteiramente de graça pelo Soulseek, sejamos francos, essa também é uma opção. E o Trent sabe.

Mas vamos ao disco! "Ghosts I-IV" é um disco muito bacana, onde escutamos Reznor experimentando com a parafernália de seu estúdio para produzir as diversas sonoridas. Soa exatamente assim: como um experimento, um músico explorando possibilidades. Alternando momentos calmos com outros mais barulhentos e agitados, o álbum entretem, mas deixa a desejar em alguns aspectos. Um deles é o fato de que um disco de quase duas horas cansa, em especial um instrumental. Outro aspecto, que também tem a ver com isso, é a sonoridade entre os quatro discos não mudar tanto assim. Não existe distinção perceptível entre os quatro "fantasmas", todos têm mais ou menos o mesmo clima. E, no fim das contas, apesar de ser um bom disco, ele não instiga o ouvinte a voltar a escutá-lo tantas vezes. Creio que isso não aconteceria se ele tivesse uma menor duração ou uma maior distinção entre as quatro partes. Mas mesmo assim, não se enganem, o disco vale ser conferido. Escolha sua forma de botar as mãos nessa coleção e... agulha no prato!

Bom, negócio é que Trent está à solta e certamente este é só o começo de muitas viagens insanas.

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